O corredor internacional de transporte (CIT) «Norte-Sul»
Em 12 de setembro de 2000, Rússia, Índia e Irã acordaram criar o corredor internacional de transporte «Norte-Sul». Com 7200 km, é uma rota mais curta e mais barata do que a via marítima pelo canal de Suez.
O corredor internacional de transporte (CIT) «Norte-Sul»
Em 12 de setembro de 2000, durante a segunda Conferência Euro-asiática de Transportes, em São Petersburgo, Rússia, Índia e Irã assinaram um acordo intergovernamental para criar o corredor internacional de transporte «Norte-Sul» (linha vermelha no mapa), ao qual posteriormente aderiram países como Omã, Azerbaijão, Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Síria, Turquia, Tadjiquistão e Quirguistão.
O corredor internacional de transporte (CIT) «Norte-Sul» é um ambicioso projeto de criação de uma rota multimodal de passageiros e cargas do porto marítimo de São Petersburgo até um dos maiores portos da costa ocidental da Índia — Mumbai —, com extensão total de 7200 km. As principais vantagens desse corredor são a redução pela metade da distância de transporte, do tempo de trânsito em 40% e dos custos de transporte em 30% em comparação com a rota marítima internacional pelo canal de Suez (linha verde no mapa), cuja extensão é de 14 500 km.
Além das vantagens citadas, a criação do corredor «Norte-Sul» permite à Rússia aceder aos grandes mercados de rápido crescimento do Irã, da Índia, do Paquistão, do Sudeste Asiático, da África e do Oriente Médio; e à Índia e ao Irã, aos mercados da Rússia, da Europa Setentrional e Ocidental através do mar Báltico e da Ásia Central através da rota oriental do corredor «Norte-Sul». O Irã torna-se o país-chave desse corredor, pelo qual passarão todas essas rotas.
Esse corredor também cria uma alternativa ao canal de Suez, pelo qual, em 2020, o volume de transporte de cargas representou cerca de 12% do volume mundial (menos do que em 2019 devido à pandemia). O tráfego pelo canal de Suez foi de 19 mil navios por ano, em comparação com outro dos canais mais importantes do mundo, o canal do Panamá, pelo qual passaram mais de 14 mil navios por ano. Em 2022, o canal de Suez alcançou recordes históricos de fluxo de carga em toda a sua existência: mais de 23 mil navios com 1,4 bilhão de toneladas de cargas passaram por ele. No entanto, em 2024, as receitas do Egito com o canal de Suez caíram quase pela metade devido aos ataques dos houthis a navios no mar Vermelho.
CIT «NORTE-SUL»
O corredor internacional de transporte (CIT) «Norte-Sul» prevê três rotas principais de transporte de cargas em relação ao mar Cáspio:
▪️Rota transcaspiana: através dos portos de Astrakhan, Olya e Makhachkala, na Rússia, e dos portos de Bandar Anzali, Amirabad e Nowshahr, no Irã.
▪️Oriental:
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o ramal ferroviário existente através do Caracalpaquistão passa pelo território do Cazaquistão, do Uzbequistão e do Turcomenistão e chega à rede ferroviária do Irã pela passagem de fronteira Tejen-Serakhs, com troca dos bogies da bitola russa de 1520 mm para a europeia de 1435 mm usada no Irã, numa estação no Turcomenistão;
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o ramal ferroviário existente pela estação de Bolashak, que contorna o Uzbequistão e vai diretamente do Cazaquistão Ocidental ao Turcomenistão, chega ao Irã pela passagem de fronteira Etrek-Gorgan, com troca dos rodados na passagem de fronteira de Gorgan, no Irã.
▪️Ocidental: direção Astrakhan - Makhachkala - Samur, depois pelo território do Azerbaijão até a estação de Astara e pelo território do Irã pela linha em construção Astara - Rasht - Qazvin. Os trechos ferroviários Astara (Azerbaijão) - Astara (Irã) e Rasht - Qazvin, no Irã, já foram entregues. Quanto ao trecho ferroviário Rasht - Astara, em 17 de maio de 2023 foi assinado um acordo intergovernamental entre a Rússia e o Irã para a construção desse trecho de 162 km, que, conforme os planos, deverá ser concluído até 2027. Na rota ocidental do CIT, após a conclusão da construção do ramal Rasht - Astara, os trens provenientes da Rússia seguirão pelo Azerbaijão e pelo Irã até o porto iraniano de Bandar Abbas e, em seguida, por mar, até a cidade portuária indiana de Mumbai.
Segundo as previsões, com a entrada em operação da ferrovia Rasht - Astara, o volume de trânsito pelo corredor ocidental do CIT «Norte-Sul» poderá aumentar até 30 milhões de toneladas, e o fluxo total de cargas por todas as rotas — incluindo a transcaspiana, a oriental e a ocidental — deverá crescer de 15 milhões para 45 milhões de toneladas até 2030. Além da Índia, posteriormente poderão ser traçadas rotas comerciais para o Iraque, o Kuwait, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, Omã, o Iêmen e o Sri Lanka. No futuro, o CIT abrangerá países da África, do Sudeste Asiático e da Oceania.














